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Os Lobos
Os Lobos
7,42 €

Herdeira de movimentos e registos tão diversificados (...) Maria Toscano de todos se demarca na edificação de uma voz que pretende nítida e singular. Específico é (...) o modo como articula o seu olhar sobre o social com a escorreita e envolvente descrição do mundo dos afectos (não nos podemos esquecer dos vários excertos que falam do relacionamento dos lobos com as lobas e destas com as suas crias), bem como a forma como às páginas lança os seus versos, quais ondas que, em sua cadenciada musicalidade, nos incentivam o cismar em prol de um lugar que queremos  próximo e sem escolhos de qualquer tipo. (Victor Oliveira Mateus)

Apresentação de Rui Grácio

Os lobos
Maria Toscano
Coimbra 21/3/2010 — IPJ

O meu nome é Rui Grácio e sou o editor do livro que aqui nos reúne, que é da autoria de Maria Toscano e que se intitula «os lobos». No dia da poesia, pois, um livro de poesia.
Queria agradecer ao IPJ, na pessoa da Dr.ª Paula Candeias, a disponibilização deste espaço para a realização desta sessão de lançamento e a todos a vossa comparência, fazendo votos para que este momento seja do vosso agrado.
Sobre a autora, Maria Toscano, a melhor apresentação virá, como terão ocasião da verificar, depois das minhas palavras. Por isso, sobre ela, vou limitar-me apenas a deixar aqui três pequenos apontamentos.
O primeiro para dizer que, para além do livro ao qual hoje dedicamos a atenção Maria Toscano tem editados mais sete livros de poesia:

• do Vagar e da Memória,1997, Palimage Ed.;
• as palavras contidas, 1998, Editora Minerva de Coimbra;
• para além das coisas, 1998, Palimage Ed.;
• A Utopia da Coragem, 1999, Palimage Ed.;
• a madre da casa da avó / os nomes infinitos do ser, 2002, Pé de Página Editores;
• Portugalito, 2002, Palimage Ed..
• A artesã do desengano, 2003, Pé de Página Editores.

Integra também várias Antologias ou Colectâneas de Poesia.
O segundo apontamento é para referir que desde 1997 tem criado e realizado o que designa como rituais poéticos: sessões diferenciadas da prática declamatória, fundadas no cruzamento experimental de técnicas teatrais participativas que implicam a (e, dependem da) participação do público-parceiro, activo interlocutor.
Por fim, e no que diz respeito ao campo profissional, Maria Toscano é Socióloga há mais de 20 anos, ensina no ISMT e está a aguardar a defesa da dissertação de doutoramento sobre mulheres socialmente designadas como pobres-excluídas em processo de requalificação social.
Sobre o livro, que foi excelentemente prefaciado por Victor Oliveira Mateus, queria apenas deixar um brevíssimo comentário.
Gostaria de referir que, apesar do livro estar dividido em sete partes, o facto é que ele possui uma unidade própria que é dada pelo movimento de criação da escrita poética como construção daquilo a que chamaria uma rede semântica generativa.
Esta rede cruza as palavras com os seus ecos, os sons e grafias com evocações e imagens, continuidades com rupturas semânticas, expectativas com o inesperado, o vago e sugestivo com o repentinamente incisivo.
A arte desta escrita reside, em grande medida, pelo menos assim me parece, na capacidade de construir um sincretismo que me atreveria a designar por narrativo simultaneamente guiado pela
• escuta da língua e das palavras,
• por referências a elementos da memória colectiva codificadas em estratificações linguísticas
• e, finalmente, pela irrequietude reflexiva de um pensamento que se desdobra em movimentos elípticos e que se vai serenando, passo a passo, nos agenciamentos que vai produzindo mas nos quais nunca se encerra nem encerra o leitor.
A construção da rede semântica tecida neste livro remete para os procedimentos mais imediatamente inerentes à criação: os procedimentos de associação e os procedimentos de dissociação.
Parecem-me ser eles, com efeito, o interface que tanto serve de bússola à navegação criadora deste livro como à navegação que aos leitores é proposta.
Neste sentido, esta pequena obra corre o risco dos limiares e explora dúbia zona cinzenta das expectáveis certezas. Por isso é um livro de poesia e, como tal, um exercício desafiante de liberdade.
Navegar é preciso, como diz uma conhecida frase. E, direi eu, é tanto mais preciso quando as saturadas vestes que já nos agrilhoam nos instam a procurar aí onde só a reinvenção nos devolve de novo ao caminho por fazer.
Obrigado pelo teu livro e pela incendiária chama poética com que nos atinge, nos desperta e nos acolhe.
Muito obrigado.

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