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Práticas performativas no jazz vocal
15,00 €

A autora desta obra, Jacinta, é uma conhecida cantora de jazz. Neste livro procede a uma reflexão sobre a narrativa de vida do seu próprio percurso de vida no campo artístico, fazendo desta narrativa uma fonte de onde jorram interrogações críticas e, simultaneamente, uma oportunidade para exercer um olhar analítico e interpretativo sobre, entre outros tópicos, o universo do jazz vocal, a condição do artista face às indústrias culturais, os mistérios do improviso e o ensino do canto.

Apresentação do livro por Rui Grácio

Embora tenha como título «Práticas performativas no jazz vocal», o livro da Jacinta evoca-me a um propósito por vezes considerado como a vocação da filosofia: pensar vida.
Quando uma narrativa de vida artística é convertida em alvo de reflexão, de investigação e fonte de aprendizagem (como acontece neste livro, no qual a centralidade é atribuída ao percurso artístico da autora), o conteúdo perante o qual estamos é, com efeito, aquele que se anuncia, talvez de um modo algo cifrado, no subtítulo: uma auto etnografia crítico-analítica.
Vale a pena decifrarmos o seu significado: etnografia: trata-se de focar e de estudar especificidades culturais, partindo de uma coleta de dados e de vivências, da observação participante, do recurso a metodologias qualitativas e à sagacidade hermenêutica. Mas, no caso, temos uma auto etnografia, pois à compreensão desse universo cultural que é o do jazz vocal junta-se um estudo de caso que é o próprio percurso artístico da Jacinta (por isso eu dizia, acima: pensar a vida).
Depois, temos ainda no subtítulo a expressão «crítico-analítica» que, para mim, significa duas coisas: por um lado, que há um esforço analítico sério e levado a cabo do modo mais rigoroso possível; e, por outro, essa análise não pretende ser meramente descritiva, nem neutra: ela inscreve-na no processo dinâmico das metamorfoses da subjetividade e fecunda-o através do confronto crítico. Sendo embora, inicialmente, uma tese de doutoramento, esta obra não é um mero estudo, um mero trabalho destinado a cumprir os requisitos da obtenção de um grau académico: este trabalho é antes um processo de aprendizagem que visa fazer crescer quem o elaborou.
Nesse sentido, trata-se de um livro empolgante, com virtudes impares e um exemplo de como se pode conciliar a investigação e o estudo académico com a dimensão significativa da vida, não só da própria vida da autora mas, também a daqueles com quem ela partilha a sua travessia, na qual mapeia assuntos-chave e convoca reflexões incontornáveis (veja-se, a este propósito, as suas considerações sobre as indústrias culturais, a importância do menager ou sobre o hiato que existe entre a formação e a realidade profissional do artista).
Merecem também destaque fundamental nesta obra, quer a questão do improviso, quer a questão do ensino. A questão do improviso está no centro das práticas performativas do jazz vocal em que a Jacinta se filia e conduz ao confronto com um difícil limiar teórico, que a autora procura enfrentar recorrendo, entre outros, a pensadores como Deleuze e Guattari. A questão do ensino aparece em linha, quer com preocupações de ordem pedagógica que sempre se colocam a um artista, quer com as preocupações de quem ensina atualmente numa universidade e procura encontrar os melhores meios para formar os seus alunos.
Em suma, trata-se de um livro muito estimulante que combina a narrativa da vida artística com a busca dos suportes teóricos que melhor façam compreender essa vida e reforcem o seu quadro significativo. Ao mesmo tempo, propõe ao leitor uma viagem da qual ele voltará certamente mais enriquecido e interrogativo.

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