O objetivo maior deste livro é examinar uma atitude normal do homo narrans: a de contar as peripécias de sua vida sob a forma de narrativas nas quais ressoam suas próprias palavras. No caso, vida na qual foi buscada um caminho divergente daquele já previamente traçado pelos determinismos sociais.Se a teoria de base do livro é a da análise do discurso de Patrick Charaudeau, isso não impediu a autora de ousar e chamar outras vozes – vindas das neurociências – para introduzi-las em suas considerações e lembrar que, afinal de contas, o discurso não é um fenômeno exclusivo das ciências da linguagem.Assim agindo, fez com que o livro se tornasse detentor de uma alegre polifonia ou reunião de saberes de diferentes narradoras e narradores de si que, sem medo de críticas e, sobretudo, da perigosa autocrítica, expõem suas origens para tentar melhor se compreender como seres humanos. Seres que procuram sua deslizante verdade (se é que ela existe) e para tanto não hesitam em mergulhar nas águas turvas da memória.A autora trabalha com três vias de acesso ou três molas de ação para melhor compreender o movimento de vai-e-vem das narrativas, sua força magnética, da qual nem ela escapa, pois, por vezes, identifica-se com a voz de outros e conta pequenos acontecimentos ligados à sua memória individual. Mas, ao fazê-lo ela os incorpora à memória coletiva de uma classe que transgrediu certas barreiras, para melhor buscar sua identidade.
